quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Faixa Bônus - Arctic Monkeys ganha prêmios de melhor grupo, melhor álbum e sinceridade

O2 Arena, Londres, 2014. É noite da maior festa da música britânica. Fãs, críticos e artistas com olhares e ouvidos atentos. É noite do Brit Awards 2014.
Ao ganhar um prêmio dessa amplitude as pernas devem tremer e a visão pode ficar turva. O nervosismo chega a ser quase obrigatório. Mas não é muito complicado fazer um discurso padrão e se safar de qualquer tragédia maior: agradeça aos fãs, à gravadora, aos produtores, ao Jim, John, Tom, Emma, Elizabeth, Rob, Bob, Dean. Não se esqueça do papai e da mamãe e até vale um agradecimento divino.
É quase sempre assim. Quase.
O último Brit Awards foi em boa parte uma premiação cool, porém padrão. Apresentado mais uma vez pelo fofinho e engraçadinho James Corden, o evento glorificou a cena musical britânica, que mostrou estar com a nova safra bem representada – Laura Marling, Bastille, Disclosure, Rudimental, Ellie Goulding, Passenger, Jake Bugg, Tom Odell, John Newman, Sam Smith, One Direction, entre outros. O espetáculo ‘from England’ contou com algumas performances tranquilas, outras mais elaboradas e poucas empolgantes. Entrega de prêmios aqui, entrega de prêmios lá, uma piadinha e um close constrangedor no artista perdedor. Nada de muito extraordinário, até que...


Arctic Monkeys ganhou prêmio de Melhor Grupo Britânico, desbancando os queridinhos - e mais famosos que os Beatles - One Direction.
A coisa começou a ficar interessante aí, sem agradecimentos a anônimos sortudos. Alex Turner e sua trupe usaram o precioso tempo e oportunidade para falar o que todo mundo acha: "ninguém quer ouvir dezenas de nomes aleatórios, ninguém liga." Depois os rapazes apenas disseram um necessário "obrigado” e mandaram o recado. Justo.
Eis que no decorrer da premiação o quarteto britânico é convocado para subir ao palco novamente, dessa vez para receber o prêmio de melhor álbum - devidamente conquistado - pelo brilhante trabalho em “AM”. Aí você pensa: "agora é hora de agradecer aos fãs, produtores e gravadora”. Eles até poderiam, mas a banda que vendeu 100 mil cópias em dois dias e conquistou o topo das paradas numa época de invasão pop merecia e poderia fazer melhor. E assim o fizeram.
Se o primeiro discurso já tinha sido empolgante, o segundo atingiu o êxtase. Nas palavras convictas de Turner: Obrigado... Esse Rock n’ Roll, hm? Esse Rock n’ Roll não vai embora. Ele talvez hiberne às vezes, afunde de volta para o pântano. Eu acho que a natureza cíclica do universo demanda essa tolerância a algumas de suas regras. Mas ele está sempre lá, esperando na esquina, pronto para voltar pelo lodo e quebrar o teto de vidro, melhor do que nunca. É. Esse Rock n’ Roll parece que foi embora às vezes, mas nunca irá morrer. E não há nada que você possa fazer a respeito. Muito obrigado e não entendam isso da maneira errada”.
Após jogar o microfone ao chão, o grande final foi embalado pelo pedido de Alex para lhe mandarem a fatura.
Ouch. Sinceridade suficiente pra você?
A verdade é que as coisas ficam bem mais bacanas quando saem do roteiro. Uma banda como Arctic Monkeys, que deixa transparecer a honestidade e convicção de seu último álbum em suas atitudes, pode e deve fazer coisas assim. Só temos a agradecer.

Fica a pergunta: será que Alex Turner vai pagar a fatura com Mastercard?

Confira o discurso na íntegra:



Você ainda não conhece o trabalho dos meninos de Sheffield? Então o F.K recomenda:
Álbum: AM (2013)
Faixa: One For The Road


                                                                                     
                                                                                     Essa coluna é assinada por Thaysa B. Pizzolato

Comente com o Facebook:

Um comentário:

Comente!