terça-feira, 15 de abril de 2014

O Lollapalooza visto do meu sofá foi assim

Finalmente consegui afastar toda a melancolia por não ter ido ao Lollapalooza 2014. O primeiro final de semana de abril foi doloroso, triste, sofrível. Assistir ao Lolla pela TV e internet me fez começar a planejar desde agora a ida para a próxima edição do festival. Já que não faço parte dos sortudos que conferiram de perto toda aquela festividade musical, deixo aqui o ponto de vista de quem estava no sofá cantando e dançando confortavelmente, porém com olhos e ouvidos bem atentos.

A catarse: Soundgarden
Pra quem, assim como eu, foi apenas uma criança nos anos 90, talvez camisas de flanela não tenham um significado muito grande. Não faz mal: assim que o Soundgarden subiu ao palco do Lolla, os mais velhos relembraram a relevância do grunge e os mais novos puderam entender um pouco o que aquele contexto representou e ainda representa na música.
Amparados por quase 30 anos de espera, a banda liderada por Chris Cornell se deparou com fãs ansiosos e um público participativo. Confesso que enquanto assistia ao show, tive a sensação de estar vendo outro festival, com um público completamente diferente. Enfim, foi algo histórico em vários sentidos. O ponto alto da apresentação ficou com a tríade Outshined, Black Hole Sun e Jesus Christ Pose.


A nostalgia: Pixies
Tive a felicidade de assistir ao show do Pixies em 2010, durante o festival SWU (saudades). A lembrança que tenho daquele dia é de uma nostalgia generalizada. O show da banda no 'Lolla' não poderia transmitir um sentimento diferente. Foi bonito de se ver.  A impressão que fica é de que músicas como Hey, Here Comes Your Man e Where Is My Mind são atemporais – tá aí uma lição para as bandas mais novas. Pixies, fiquem à vontade para retornarem o mais breve possível.

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A empolgação: Imagine Dragons
Assistindo da TV, pareceu ser uma comoção das brabas, quase um desespero. Talvez uma das bandas em maior evidência no último ano, Imagine Dragons chamou o público para si graças a seus bem produzidos hits. O grupo de rock - que não é tão rock assim - colocou todo mundo pra cantar: Radioactive, Demons e It’s Time são grandes sucessos, daqueles que toda banda gostaria de ter, capazes de transformar um show padrão em algo memorável. Quando a apresentação parecia não ir muito além de tambores com mais relevância visual que sonora e gritos histéricos de fãs enlouquecidos, eis que a banda apresentou uma versão enérgica e interessante de Song 2, do Blur. Agradou.


A expectativa confirmada: Arcade Fire
Após ouvir um álbum como o Reflektor (ainda não ouviu? que pena), nada além de um show sensacional era esperado para a apresentação do grupo (orquestra) canadense Arcade Fire. E assim foi feito: a setlist foi contemplada com o melhor do último álbum (um dos melhores de 2013) e tenho certeza que muitos fãs ficaram felizes da vida. Foi realmente triste se contentar em ver toda aquela felicidade pela TV.


A máxima indie: Vampire Weekend
Os caras são esquisitos, porém fofos. A música dos caras é esquisita, porém fofa. Vampire Weekend, o algodão doce indie, fez um dos shows mais sinceros do Lollapalooza e o público pareceu ter gostado. A festa indie se ambientou numa mistura de ritmos e arranjos ecléticos from New York. Se o último álbum da banda - Modern Vampires of The City - convenceu a crítica, esse show provavelmente convenceu os fãs.

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A surpresa positiva: Ellie Goulding
Pois é, julguei errado. Classificava a queridinha britânica, Ellie Goulding, como uma artista pop de estúdio, com músicas bem produzidas e nada além. Mal sabia que a cantora de voz aguda realmente sabe como fazer um show. Arrisco a dizer que foi uma das melhores apresentações do Lolla. Uma banda excelente, um repertório preciso e empolgação mútua entre artista e público tornaram o show da Ellie Goulding no mínimo empolgante. Viva ao pop de qualidade!

  

A surpresa negativa: Jake Bugg
Jake Bugg e sua banda emburrada não convenceram. Foi um show apático, chato, monótono. Jakezinho, volta e faz outra vez. Pra não dizer que o show inteiro foi  ruim, a coisa ficou um pouco melhor quando o fofinho deixou de lado seu pseudo-folk e pegou a guitarra. Nem o cover de My, My, Hey, Hey (Out of The Blue), de Neil Young, salvou. Meu consolo é: se eu estivesse lá, estaria assistindo ao show do Soundgarden.

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A coragem: Muse
O show do headliner do primeiro dia de Lollapalooza não foi transmitido pela TV e internet, mas é digno de nota. Fãs da banda, assim como eu, certamente ficaram chateados com o veto da transmissão e muito se discutiu sobre o motivo do ocorrido, provavelmente o mesmo que cancelou o show do Muse um dia antes em São Paulo: a garganta inflamada de Matthew Bellamy.
Quem teve o deleite de estar presente, garante: Muse não decepcionou. A banda foi inteligente e deixou que o público fizesse parte do espetáculo. Se Matt Bellamy estava com a garganta ruim, não fez mal, 80 mil pessoas cantaram por ele. Os caras ainda aproveitaram a situação para homenagear Kurt Cobain, é mole? Com uma versão de Lithium, o trio trouxe um pouquinho de saudade ao primeiro dia de Lolla. Muse mostrou que música não se trata de perfeição, mas sim de emoção. Aplausos!

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Em 2015 espero estar bem longe do conforto do meu sofá. Ficarei feliz em percorrer 2Km entre um palco e outro, morrer de calor, beber Skol (eca) e passar por todas as dificuldades comuns de grandes festivais. Tudo bem se algumas amizades forem desfeitas por conta do  horário dos shows, aqui em casa deixei muita gente nervosa por monopolizar a TV. Faz parte.

Essa coluna é assinada por Thaysa B. Pizzolato (@thawithdiamonds)

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